SHIBORI, TINGIMENTO NATURAL E O PRÓPOSITO POR TRÁS DA MANUI BRASIL COM JU BASTOS

"Estou amando dar aulas online principalmente com pessoas de outros estados neste tempo onde requer muita adaptação na pandemia, pois a Manui desenvolvia muitas atividades presenciais como as feiras por exemplo."
- Disse Ju Bastos, fundadora e estilista da Manui Brasil em uma das nossas conversas no pv.

Com propósito sustentável, uma sequência de desfiles ovacionados na Brasil Eco Fashion Week em diferenças edições e o reconhecimento nacional se tornando cada vez mais pulsante, o Blog Gulherme Dias abre alas para esta mega entrevista com a designer fundadora.




Guilherme Dias: Mana, me conta sobre esta brasilidade tão viva no trabalho da Manui pelo amor... E também um pouco sobre as ruas raízes ancestrais pois a marca realiza um trabalho lindo de resgate cultural tanto na prática do Shibori quando as paletas de cores.

Ju Bastos Manui: No nosso país existe uma potência cultural enorme e com inúmeras possibilidade de se expressar a brasilidade. Outro ponto força é natural imensa com a presença de vários ecossistemas em um país continental.
Uma das formas que busco me inspirar é me reconectando com a história da nossa cultura, por exemplo a semana de 22's com o movimento modernista que propôs buscar, registrar e manifestar a brasilidade de todo o país que és ampla e riquíssima. Acredito que a moda brasileira precisa mergulhar cada vez mais nesse processo de reconexão com as nossas matrizes.

A partir dessa reflexão acredito que o mercado de moda tem uma enorme responsabilidade para criar uma moda brasileira, sabendo que existem diversas formas de expressá-la, como por exemplo a produção artesanal brasileira tão admirada mundialmente e única.
Mas infelizmente aqui no Brasil ainda não está devidamente valorizada esta criação artesanal.
Precisamos cada vez mais nos aprofundar nesses métodos.
É justamente este mergulho que buscamos realizar na Manui. Partimos da reconexão com as nossas matrizes ancestrais.
Comecei a partir da minha história pessoal, da conexão com a história dos meus avós, como por exemplo a minha ancestralidade indígena e africana, buscando esta consciência histórica do nosso país. E eu actedito que  o próprio designer é um pesquisador apaixonado pelo conhecimento, então estudar é uma forma de alimentar a mente.

Os impactos ambientais que vivemos hoje são um genuíno reflexo destas ancestralidades que foram (e infelizmente ainda são) negligenciadas pela mentalidade extrativista.
No desenvolvimento da primeira coleção tive a oportunidade de conhecer de perto a cultura Pataxó, aprendendo com eles a utilização do urucum no tingimento natural, podendo aprender muito mais sobre a história da nossa terra e muitos ensinamentos para a vida.
Um ponto que me marcou muito foi ver a dedicação destes povos em manter a cultura viva com os mais velhos ensinando os jovens sobre a responsabilidade de manter essa chama acessa.




Guilherme Dias: Pegando o gancho desta experiência e visão incrível, gostaria do desdobramento sobre o teu olhar em questão do atual cenário da moda juntamente com os impactos ambientais:

Ju Bastos Manui: Aprendemos na faculdade que Moda é Expressão, e o atual cenário que estamos vivendo a moda vem traduzindo através do vestir. É um processo que podemos observar como a moda é interligada  à cultura, costumes sociais. Resultando em um e registro do período histórico cultural de nossa sociedade.
Infelizmente estamos vivendo um tendo de polaridade muito grande, por um lado vemos a propagação de um conservadorismo extremo, motivado por egoísmo, reverberando em exploração dos recursos naturais de forma destrutiva no meio ambiente e sociais.
Por outro lado, na lei da polaridade, busco enxergar e me conectar com as pessoas que estão se dedicando ao crescimento do movimento coletivo, que propõe uma visão mais cíclica, responsável e consciente. E vejo esse potencial na Moda Sustentável no Brasil, principalmente vindo da parte dos jovens estudantes e consumidores que questionam, buscam informações e estão mudando a forma de criar a moda, e selecionando com mais cuidado o que comprar. Fazendo com que o mercado mude.

Cada vez mais pessoas tem a consciência de que ao comprar de uma marca você está patrocinando diretamente o seu ciclo produtivo, seja ela responsável ou não. Por isso a importância de escolher com consciência.
Gosto de citar o trabalho de várias instituições e pessoas que admiro, aprendo, acompanho e indico para todos: Fashion Revolution, o Portal Eco Era, O Gulherme Dias (risos hahaha)... Criando conteúdos com responsabilidade que reverbera  em uma mudança profunda não por tendência, mas com próposito.






Guilherme Dias: Maravilhosa né gente ! Hahaha amo tanto você e seu trabalho... Me conta sobre as famosas técnicas sustentaveis de tingimento e produção de coleção da Manui Brasil:

Ju Bastos Manui: Na Manui estamos ligados com o tingimento natural, uma conexão com o saber ancestral, a estamparia manual como o Shibori (conhecimento milenar). Estudar tinturaria natural é mergulhar nos conhecimentos de história, química, biologia. E através da história do nosso país Brasil expressamos através do vestir essa perspectiva de brasilidade viva na Manui.
Na questão da modelagem com amarração para ajustar em diversos tipos de corpos (diversidade e inclusão), as cartelas de cores com plantas nativas, urucum e muitos aviamentos nacionais !

Tudo isso é trazer a NOSSA perspectiva brasilidade, propomos uma experiência sensorial, que através da roupa possamos para entrar em contato com o nossa bússola interna (autoconhecimento); reconectar com o nosso corpo, pele, atrito; as diversas histórias, formas e desenhos dos corpos, pensando em criar uma a modelagem brasileira. Com todos essa pesquisa, reflexão, e aprofundamento nossa proposta é semear uma moda consciente.

Agradeço Gui pela oportunidade de poder compartilhar o processo criativo da Manui.




Redes Sociais
Ju Bastos: @ju_bastos
Manui Brasil: @manuibrasil

Blog Guilherme Dias

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