NO DIA INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE O BLOG CONVERSA COM MIRELLA, ESTILISTA E DESIGNER FUNDADORA DA THINK BLUE

Fundada em 2015, a Think Blue é uma marca carioca que assume a responsabilidade em ressignicar o jeans/denim descartado em um novo modelo de peças feitas à mão autoral.


O blog entrevistou a designer fundadora e estilista Mirella Rodrigues em uma conversa sobre o atual cenário político ambiental em que o nosso país vive transcreve como a moda pode entregar a sua contribuição ao planeta, às mulheres violentadas e pela causa negra:

Guilherme Dias: Conta para nós qual foi o olhar que trouxe inicialmente a Think Blue para existência. 

Mirella: Então Gui, a Think Blue começou quando eu ainda estava na faculdade, quando iniciei no finalzinho uma matéria sobre projeto sustentabilidade. Ali eu tive acesso estudando e pesquisando aos impactos da moda, saindo daquela superfície glamourizada da moda para de fato ver os impactos ambientais e sociais da moda como as explorações das costureiras.
Os resíduos químicos, os resíduos da água  e o quanto a moda explora os nossos recursos naturais de forma negativa, me deixando muito mais impactada ! 
Então durante a pesquisa sobre como produzir uma moda mais consciente entrei na parte do upcycle e outras técnicas que eu me apaixonei como por exemplo o tingimento natural, com o objetivo de incluir mesmo na Think Blue.
Eu me apaixonei pelo upcycle e o jeans, começando a trabalhar com o reaproveitamento do jeans justamente por ser uma das fibras que mais impacta a cadeia da moda e o meio ambiente. Se pensarmos bem, os que 11 mil litros de água que são utilizados para fazer uma peça jeans é praticamente o tamanho de um caminhão pipa, enquanto existem pessoas no nosso país que não tem acesso a água potável é de pirar o cabeção !



Na época eu inclusive participei do "Denim Lab" que é um laboratório acadêmico sobre a práticas conscientes de produções de Denim (jeans). Onde eu tive aulas práticas e teóricas, ampliando meu conhecimento e abastecendo meu estímulo de mostrar que é possível criar um produto comercial, vestivel diminuindo o impacto ambiental e tratando as pessoas da maneira digna que merecem ser tratadas !
Criando a Think Blue e as roupas sem causar impactos ambientais, pois aqui em nossos processos de produções tudo é muito calculado, pensado e cuidadoso de uma forma consciente. Até na hora de lavar uma calça, em buscar o tecido do jeans em uma localidade distante, pensando em qual tipo de transporte usar e o melhor tratamento para nossos colaboradores.

Guilherme Dias: Sobre a sua última coleção ovacionada no Brasil Eco Fashion Week ultima edição, compartilha conosco o manifesto político que a Think Blue trouxe, principalmente contra as falas do Presidente da República.

Mirella: Olha Gui... sobre o meu posicionamento no desfile daquela coleção, foi um ano muito difícil para mim, pois sofri muito durante o processo da pré eleição quando estava produzindo a coleção naquele ano e por isso o que eu digo para você, digo à todos: Eu não poderia fazer um trabalho pensando só em mim ou na coleção da minha marca. Devia alí expor a indignação de todos os presentes, principalmente as pessoas que trabalham comigo como a minha costureira e modelista que são mulheres negras, o meu assistente que é homossexual, também negro e que sofrem diariamente com os impactos desta sociedade caótica doente.
Tinha o dever de expor este sentimento não só deles mas o meu também como pessoa, cidadã e mulher pobre que morou em comunidade até os 18 anos de idade, onde meu pai mora, como uma estudante de escola pública e agora uma mulher empreededora !



E imprimir todos estes sentimentos era também o que a sociedade passou como negros, povos indígenas, mulheres e população pobre na época vendo um presidente sendo eleito com todas estas falas arrogantes sabendo que nós não somos a minoria, mas a maioria !
Recebemos um abraço e apoio do público que nem em meus maiores sonhos poderia imaginar ! Isso foi muito importante, este momento de desabafo naquele momento e após, foi incrível ver a reviravolta da marca, onde as pessoas podiam sentir o nosso DNA e conhecer o nosso posicionamento!
Quem nós somos, a maneira que transmitimos a mensagem para o público...


Guilherme Dias: A think blue além de ser uma marca ativista ambiental, também é uma porta voz do eco feminismo. Me conta sobre a sua visão neste cenário pandemico onde a violência contra a mulher e o racismo cresceu drasticamente.

Mirella: Eu como mulher que só emprega mulheres desde a pré e pós eleição vejo que a violência contra a mulher cresce a cada dia principalmente neste cenário pandemico, desde então não tivemos descanso pois é uma notícia terrível a cada dia além de termos um presidente machista que em suas falas ofende as mulheres diariamente. Sem contar no incentivo à violência contra as mulheres na fala dele, para nós mulheres, população negra e todos os povos que ele chama de minoria sendo a maioria, temos vivido grandes pesadelos desde este homem alcançou a presidência de república ! 
São dias de sofrimento mas também dias de RESISTÊNCIA e nós que temos um grande alcance nas redes temos o dever de se posicionar com nosso poder de fala, mostrar o que está acontecendo e cobrar deste governo.

E a Think Blue é uma marca que faz isto a todo momento, pois somos uma marca VIVA e não adianta eu trabalhar com mulheres, mulheres negras e não falar sobre o genocídio feminino e racista atual. A mesma coisa se aplica ao meio ambiente onde um ministro ambiental como o Ricardo Salles ser um inimigo do próprio meio ambiente.



São muitas coisas acontecendo e as pessoas que trabalham com a moda sustentável, que estão aqui para mudar, lutar e proteger o meio ambiente sem cobrar e falar para a população o que está acontecendo apenas mostrando a etiqueta da costureira... não faz sentido e também não adiantaria !
Acredito ser este meu papel na sociedade como cidadã e ser humana exigindo um mundo melhor, para as crianças, o nosso futuro e os seres viventes assim como falei para minha miga alguns dias atrás.

Usar este poder de fala para lutar contra as injustiças deste país não é mais que a minha e a nossa obrigação. Somos o país que mais mata mulheres, que mais mata negros, que mais desmata as florestas e quando caí a fixa de que moramos aqui eu não sei nem mesmo o que lhe dizer...

Guilherme Dias: Como você poderia me dizer a forma com que a cadeia da moda, a população brasileira e as futuras gerações contribuiriam melhor para a preservação das florestas em pé, as pautas racias e feministas ? 

Mirella: Bem Guilherme, a gente precisa cobrar pois se você me diz que em nosso país as pesquisas mostram que 90% das pessoas são contra o desmatamento por que atividades como tais ainda se perpetuam ? 
Eu vejo que no Brasil ainda não aprendemos a cobrar o suficiente por medidas que beneficiam o meio ambiente, a segurança, a saúde e educação. Em usarmos além da redes para cobrar como assinar uma petição e ir às ruas.
Se o presidente vetou 8 milhões para recursos ao combate à COVID19 e a gente não faz nada ?! Precisamos ter atitudes mais ativas  e posicionamentos mais claros em relação as gestões ou quando temos e não somos assassinados.
A imprensa quando se posiciona é dita como comunista e quando não é censurada... Estamos vivendo um cenário que guerra no país e uma ditadura ideológica. 
Não tem como não falarmos o que está acontecendo como ativistas, blogueiros, influencers e marcas.


Não há como sermos imparciais mais, e se eu tivesse maiores recursos com certeza faria muito mais. Eu não sou uma empresária com grande capital de giro, mas uma mulher empreededora (MEI) que trabalha com mais 3 pessoas e se movimenta para manter o trabalho destas 3 pessoas que é importante não só para elas mas também para a minha pessoa ! Falando com outros povos, seres e contribuindo para um planeta e sociedade melhor ! 
É como eu contei na última postagem minha neste dia internacional do meio ambiente:

" NÃO TEM COMO FALARMOS SOBRE MEIO AMBIENTE SEM ANTES FALARMOS DO AMBIENTE QUE NÓS COMO SOCIEDADE ESTAMOS INSERIDOS, QUE É UM AMBIENTE CRUEL E ASSASSINO ! "


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Blog Guilherme Dias

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